A hiperconectividade e os possíveis prejuízos nas aprendizagens

A hiperconectividade, por si só, não é o que causa prejuízos, mas sim a forma como a tecnologia é utilizada. Existe uma diferença fundamental entre uma criança exposta às telas de maneira passiva e automatizada e outra que faz uso da tecnologia dentro de um plano estruturado, com rotina e mediação adequada. Para ilustrar, pense em um profissional de Tecnologia da Informação ou de qualquer área que exige raciocínio estratégico: esse adulto passa longas horas conectado, mas utiliza intensamente as funções do córtex pré-frontal, responsáveis pelo pensamento crítico, pela organização e pela resolução de problemas. Em
contraste, uma criança que passa horas no TikTok, apenas consumindo conteúdos rápidos e de forma impulsiva, não ativa essas funções cerebrais de maneira significativa, operando em um modo passivo. Ou seja, o problema não está no tempo de tela em si, mas na falta de estímulos que promovam o desenvolvimento cognitivo. É nesse desequilíbrio que residem os principais prejuízos da hiperconectividade.

Além disso, o excesso de estímulos rápidos e recompensas imediatas, específicos de aplicativos como o TikTok, pode afetar o funcionamento cerebral, tornando os jovens mais impulsivos e menos tolerantes a processos que exigem esforço e paciência. Esse efeito pode ser observado na dificuldade crescente que muitos apresentam em se dedicam a leituras longas, resolvendo problemas complexos ou até mesmo mantendo o interesse em atividades que não oferecem gratificação instantânea. Esse padrão pode ter repercussões sérias na vida escolar, profissional e social, dificultando a capacidade de enfrentar desafios e lidar com frustrações.

Outro ponto preocupante da hiperconectividade sem mediação é o impacto na saúde mental. O excesso de tempo nas redes sociais pode levar a comparações constantes, distorcendo a autoimagem e afetando a autoestima dos jovens. A exposição a padrões irreais de beleza, sucesso e felicidade pode gerar ansiedade, insegurança e até quadros depressivos. Além disso, a necessidade de estar sempre conectado e atualizado sobre as tendências pode causar um estado de hiperalerta, prejudicando o descanso e a saúde emocional.

A influência no comportamento social também é evidente. Crianças e adolescentes que passam grande parte do tempo interagindo virtualmente podem ter dificuldades no desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais, como empatia, escuta ativa e comunicação interpessoal. A substituição do contato presencial por interações digitais pode levar a uma fragilidade nos vínculos afetivos, dificultando a construção de relações saudáveis e de
tensões.

Diante desse cenário, é essencial que pais e educadores adotem uma abordagem equilibrada, incentivando um uso consciente e produtivo da tecnologia. Estabelecer limites de tempo de tela, propor atividades offline e, principalmente, participar da experiência digital das crianças são estratégias eficazes para garantir que a hiperconectividade seja benéfica e não prejudicial.

Analu Fogaça
Psicopedagoga – ABPp 1406